Viajar sem
compromisso, a não ser com nosso descanso e diversão, sempre tem um efeito
colateral muito legal: estamos abertos a novas amizades. O véu da correria diária
que cobre os nossos olhos se desfaz: estamos mais atentos a quem nos cerca e percebemos
melhor as afinidades. Aguardando o ônibus no aeroporto de Floripa encontramos
um casal que também se dirigia a Canasvieiras. André e Michele são pessoas
divertidas, espirituosas e dispostas a curtir alguns dias de sol e praia, como
nós. Temos a certeza que nada é por acaso e nossos novos amigos juntar-se-ão àqueles
que fazem parte dos nossos bons momentos. A vida é feita de encontros.
domingo, 4 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
Floripa is here!
O
desembarque em Florianópolis foi algo decepcionante: esperava um aeroporto
novo, maior, porque acredito que o volume de turistas que transitam aqui é
muitas vezes maior do que em
Porto Alegre , por exemplo. As instalações são acanhadas e o
desembarque é ao relento: por sorte não chovia. A rodoviária da cidade é muito
maior e melhor que o aeroporto. Vai ver que é porque aqui não tem copa, né?
Mas a
surpresa está na mobilidade urbana. Já tínhamos resolvido que utilizaríamos o
transporte coletivo, uma forma de conhecer melhor o local e convivermos com sua
cultura. No balcão de informações turísticas fomos brindados com duas publicações:
A primeira
é um guia gastronômico das principais cidades do estado, com destaque para a
capital. A segunda virou nossa bíblia do deslocamento: o Mobfloripa (também em mobfloripa.com.br)
traz todas as linhas urbanas de Florianópolis, com conexões, horários,
terminais, itinerários, etc. Todo o serviço de transporte coletivo da cidade é
integrado. Pode-se atravessar a ilha (foi o que fizemos, do aeroporto a Canasvieiras),
pegando três coletivos diferentes em terminais fechados, pagando apenas uma
passagem: R$ 2,70.
Terminais integrados em vários locais
Coletivos com espaço para bikes
Ônibus executivos, para transporte mais rápido (R$
5,50).
Há ainda serviços de táxi (o Mobfloripa informa as distâncias entre os principais
pontos da cidade e o valor aproximado da tarifa!), traslados, locação de veículos,
bikes, barcos, helicópteros, etc. Pode-se até baixar um aplicativo para celular
com as informações. Lembrou-me muito uma capital de um estado bem ao sul do
Brasil que quer receber a Copa do Mundo em 2014. Lá os coletivos partem de um
sem-número de locais, distantes uns dos outros (e o turista que se vire para encontrá-los), não há integração, muito menos informação, paga-se passagem a cada
trecho e o serviço é sofrível, para dizer o mínimo.
Que viagem!
Sorriso e leitura prá disfarçar...
Nosso vôo
com destino a Florianópolis sai exatamente no horário previsto. Assim que
decolamos nosso comandante informou que a viagem, prevista para durar uma hora,
seria de 35 minutos! Mazááá comandante! Vai ser multado por excesso de
velocidade. Houve um rápido movimento do pessoal de bordo, agilizando o
atendimento. Pensei: lá vem a barrinha de cereal e o copinho de refri. Para
nossa surpresa, fomos informados que os produtos servidos eram pagos. Isso
mesmo, pagos! R$ 6,00 por uma latinha de refri, R$ 9,00 por um pãozinho de sanduíche
com margarina e queijo dentro, e por aí vai. Pagamento, só com dinheiro, claro.
Quem mandou comprar passagem barata? Estávamos no fundo do avião e fiquei
observando: as bebidas voltaram fechadas e os pacotinhos com os lanches
intactos. A venda foi muito fraca, prá não dizer nenhuma. Acho que ficaria mais
bonito não oferecer nada. Que viagem, gente!
Cuidado, pobres!
No aeroporto... se achando!
Férias! O dia chegou! Claro que chove, e muito. Claro que alagou a
rua e a gente quase não sai de casa. O genro Marcelo comparece com seu carro
anfíbio para nos levar até o aeroporto. Os velhos saem de casa três horas antes
do embarque. Sabe como é, vai que dá um engarrafamento... deu. Levamos quase
uma hora para fazer um percurso de vinte minutos. Na chegada ao aeroporto
tivemos uma surpresa, própria dos viajantes sem conhecimento: nosso genro nos
deixou no terminal errado! Ao invés do novo(!) e eficiente(!) Aeroporto
Internacional Salgado Filho (a Copa vem aí, hein!), os pobres viajam numa
companhia(!) que embarca seus passageiros no Terminal 2 (isso parece nome de
campo de concentração), o velho Salgadinho. Aposto que minha irmã Elaini e meu
übercunhado Artur, viajandões contumazes, não passariam por esse, digamos,
imprevisto. Mas se passassem, perguntariam como chegar lá. Seriam informados de
que há uma linha de ônibus interna que faz o percurso entre os dois terminais,
sem ônus para os passageiros. Os velhinhos, seguros de si, não perguntaram nada
e pagaram um táxi para fazer o percurso. Ô, pessoas intelectualmente
desprovidas (termo politicamente correto para burros)!
Uma mala, dois malas... parte 2
A mala da discórdia...
Em março de 2011 minha
amada esposa foi passar duas semanas no rigoroso inverno europeu, em Londres e Paris,
e levou uma mala de roupas. Para passar 10 dias em Canasvieiras, usando maiô e
camiseta, ela levou... uma mala de roupas! Que quase não fecha! Enquanto isso,
eu quero levar apenas uma pequena bolsa de viagem com uma bermuda, um chinelo e
uma escova de dentes. Quase que minha bolsa também não fecha, recheada com as
coisas que não couberam na mala dela. Vai entender como funciona uma mulher...
Lá vamos nós...
Nossa nova viagem tem três objetivos: ser curta, acessível
(como diria a Iara quando se refere a coisas baratas) e que nos permita
descansar muito. Em duas palavras, sombra e água fresca. Após exaustivas
pesquisas (não era para descansar?), a opção foi por Florianópolis (porque é
perto), Praia de Canasvieiras (a Iara se recusa a ir para outro lugar na Ilha,
porque lá a água do mar, segundo ela, é quentinha). Peraí 1: 500km é perto?
Não, mas a viagem é curta, se for de avião! Peraí 2: não tinha que ser
acessível? Sim, e foi, porque descobrimos que um pacote de ida e volta a
Floripa comprado com antecedência pode custar mais barato que uma passagem de
ônibus. E ainda pode ser paga em seis vezes sem juros, sem entrada e sem saída
(tudo que os pobres e velhos gostam). Assim, lá vamos nós... denovo!
quinta-feira, 14 de julho de 2011
The return
Em Londres (acima) ou em Paris (abaixo)
até os mendigos tem o hábito da leitura.
A viagem acabou. As experiências não. De cada país, de cada lugar, voltaram conosco situações que ainda vão influenciar de alguma maneira a nossa maneira de pensar, de agir e de avaliar as coisas. A viagem mostrou aquele mundo que nós, brasileiros, chamamos de mais frio, menos acolhedor, diferente do que estamos acostumados. Ok, se calor e acolhimento quer dizer falta de educação, desrespeito à coisa pública e levar vantagem a qualquer preço, então quase começo a preferir a frieza. A impressão que temos da nossa incursão pela Europa é o encontro com um povo atento à uma construção social interessada no bem estar geral, buscando no passado o aprendizado para não cometer erros futuros. Cometeu-os, e vai continuar cometendo-os. Mas, seguramente, tem aprendido com eles. E isso faz diferença.
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