segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Grafite x pichação



São Paulo é detentora de alguns títulos, recordes e coisas deste tipo que tanto dizem muito como não significam nada. Por exemplo: São Paulo é a capital mundial do grafite. Sem entrar no mérito de onde saiu esta história, basta dar uma volta pela cidade (qualquer lugar da cidade!) para descobrir que, se isso não é verdade, é perfeitamente crível. Onde quer que se vá, há manifestações artísticas nesse formato - considerando que grafite é arte. Alguns dos grafiteiros mais famosos do mundo, como Os Gêmeos - Gustavo e Otávio Pandolfo - e Eduardo Kobra são bastante atuantes na cidade, com interferências de alta qualidade artística e conteúdo engajado na atualidade social e econômica, local e mundial. São trabalhos enormes, que demandam muito tempo em sua execução, alguns com mais de 10 andares de altura, outros acima de 200 metros de comprimento, executados em empenas cegas de prédios, laterais de muros de contenção, viadutos e até bancas de jornais.  Há inclusive um lugar chamado MAAU - Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo, destinado a esses trabalhos.










Mas também a pichação, que é a sujeira pura e simples, de mau gosto e mal educada, para dizer o mínimo, também é onipresente. Considerado infração e não crime, a pichação prolifera com um mote bem específico: quanto mais difícil sua execução - local de difícil acesso, perigoso, etc. -  maior conceito terá o pichador na sua tribo. Neste caso, o limite é não ter limites. De mão amarradas, o poder público passa seus dias lavrando termos circunstanciados que não levam à punição de ninguém. Triste!




Se nos serve de consolo, parece que há um profundo respeito ao trabalho dos grafiteiros por parte dos pichadores: não se vê um único local grafitado que tenha sido sujo pelos verdadeiros marginais do spray. Até o crime tem seus códigos de ética...

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